sábado, 29 de janeiro de 2011

DO DOCE ESQUECIMENTO




"Às vezes me lembro dele,
sem rancor, sem saudade, sem tristeza.
Sem nenhum sentimento especial
a não ser a certeza de que,
afinal, o tempo passou.
Nunca mais o vi, depois que foi embora.
Nunca nos escrevemos.
Não havia mesmo o que dizer, ou havia?
Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas!
É possível que, no fundo,
sempre restem algumas coisas para serem ditas.
É possível também que o afastamento total
só aconteça quando não mais restam essas coisas
e a gente continua a buscar, a investigar —
e principalmente a fingir.
Fingir que encontra.
Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo."

[Caio F.]

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